JORNAL O FARROUPILHA – EDIÇÃO 2.500: 2026 longe de Farroupilha – Parte II
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Vitor Tonolier Filho/Vitor Minas
Jornalista e escritor
Pepino de Cápri, Sofia Loren, Tomaso Buschetta, concheta, arrivederci Roma, prego, tchau, o escambau…
Se passa em Berlim destruída, em 1947. O drama dos sobreviventes vencidos para viver mais um da é comovente. A cena aérea do efeito dos bombardeios aliados – prédios só em carcaça – é impressionante. Como é que eles conseguiram se reerguer, eis a coisa.
O nome de uma figura que muito me impressionou dentre todas as que entrevistei: José Lutzemberger. Isso foi no início dos anos 90, em sua casa, ali perto do HPS. Logo ele se entusiasmou e me convidou para jantar em um bom e intimista restaurante, em uma rua próxima. Não faltou chope e nem simpatia por aquele homem do sotaque carregado e a sua acertada visão de mundo. Junto estava sua filha, Lara, que hoje dirige a Fundação Gaia.
Conta-se que quando Lutz morreu formou-se lá perto de Pantano Grande uma grande e repentina tempestade, com todos os elementos da Natureza agindo em fúria ao mesmo tempo.Uma homenagem, talvez.
O mesmo aconteceu na ilha de Santa Helena parte do Atlântico quando Napoleão Bonaparte expirou, aos 51 anos. Para o bem ou para o mal, os dois juntos, ele foi um predestinado. Se meteu em tudo, deu pitacos em tudo e nunca esqueceu de levar uma missão científica em suas guerras. Pouca gente sabe mas o sistema de numeração de casas numa rua, tal como hoje está, foi ideia sua. Antes era um caos – Bonaparte deu a sugestão: de um lado números pares, de outro ímpares.
Em compensação mandou fuzilar às escondidas dois mil soldads egípcios. Não tinha condição de fazer prisioneiros, alegou o mesmo que alegavam chimangos e maragatos com a “gravata colorada”.
Chegou 2026, coisa que, antigamente, até nos assustava, em parte devido aos filmes de Hollywood e a conquista espacial. 2026, na numerologia, dá 10, resumido para 1 – o início de tudo. Miss Brasil 2000, lembram, com a Rita Lee, lá por 77, 78.
Roberto Carlos está velho, Caetano Veloso está velho, Chico Buarque está velho, Gilberto Gil está velho, Paulinho da Viola também. Conhecemos eles todos jovens, não se imaginava vê-los idosos (o Chico tropeçando sobre a Cissa). Somos, os meia zero mais, os primeiros a experimentar isso. Todos oitentões, repito. É como se eles nos ensinassem: é a vida, a lei da vida, vocês caminham para isso.
Esses dias me dei conta de que nunca, eu toda a minha vida, me pilchei ou sequer usei bombacha. Oitenta por cento dos gaúchos também estão nessa, acredito. E olhe que sou racionalmente imerso na nossa cultura, já que, no fundo, sou um garoto do interior. Isso é importante e raro nos dias de hoje – o garoto ou guri do interior. Mário Quintana, por exemplo, nunca deixou de ser. O próprio Érico Veríssimo também.
Guri do interior significa pescarias, banhos de rio, cachoeira, frutas silvestres, melancia roubada, tomar banho de chuva, pescar traíra de noite, lá no rio meio distante, junto com o pai, jogar bolita e atirar com bodoque – espingarda de chumbinho também vale. Ter bicho-de-pé, idem.
Nos anos 80 ainda era possível, ao caminhar pela Rua da Praia, ver o Quintana passando, cabeça baixa, a mão no bolso. Todo mundo o reconhecia, mas ninguém o importunava, o poeta era resguardado e respeitado.
A fama excessiva deve ser terrível. Ou o sujeito se mete no mato, no anonimato, ou está lascado. É por isso que essa gente endoidece.
