JORNAL O FARROUPILHA – EDIÇÃO 2.500: Precisamos estar juntos e acreditar

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Angela Silvestrin
Professora

Aposentada, acompanho a distância o bom desempenho das escolas públicas de Farroupilha no IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – e em outros rankings que medem o desempenho dos estudantes. Ao mesmo tempo, tenho frequentado apresentações artísticas onde escolas montam espetáculos de criatividade e bom gosto, utilizando múltiplos recursos, fazendo com que seus alunos sejam protagonistas de verdadeiras obras de arte. Estas apresentações reúnem e encantam as comunidades.

Falo do ensino formal, conteudista, acadêmico somado à vivência da arte, do movimento, da alegria e da criatividade. Considero-os inseparáveis e indispensáveis, pois entendo ser este o propósito da educação: potencializar nas crianças e adolescentes o que trazem de melhor em si, valorizando as inteligências múltiplas, a diversidade cultural, buscando dar a cada um o estímulo necessário para que se desenvolva, se descubra, se aceite e seja aceito pelo outro.

Tarefa fácil? Simples?

Tarefa? Missão? Profissão?

Professores e professoras são pessoas que escolhem a profissão de educar. Para isso estudam, passam em concurso, fazem parte de um corpo docente.

Professores são os atores principais desta grande obra chamada Educação. São eles que acolhem, que observam e detectam dificuldades e habilidades, são eles que propõem atividades e conteúdos, que motivam, que fazem a mediação de conflitos. São profissionais que escolhem atuar com outras pessoas, que acreditam na vida, no futuro.

Desde que me lembro, quando me perguntavam o que queria ser, respondia sem a menor dúvida: quero ser professora! Talvez, porque tenha nascido dentro de uma Escola Rural, ou porque tenha ouvido de meus pais, ambos professores, tantas histórias sobre seus alunos e a escola em que trabalharam.

Como professora, atuei com entusiasmo e fé no meu trabalho, mesmo tendo cometido erros, pois com pessoas, o desafio é constante e não há uma receita ou um protocolo que se aplique a todos. Fui muito feliz nesta profissão onde se aprende diariamente, onde se vê as crianças e adolescentes aprendendo, se tornando autônomas e independentes.

Também fui diretora de escola e vivenciei a importância deste cargo e a necessidade de ser exercido por professores eleitos democraticamente pela comunidade escolar, pois à equipe diretiva cabe o desafio de liderar professores, funcionários, pais e alunos. Cabe representar a escola perante a mantenedora – Secretaria Municipal de Educação ou Coordenadoria Regional de Educação, cabe cumprir e fazer cumprir as Leis e os Projetos Educacionais. Uma grande responsabilidade, por vezes árduas. Acredito que Farroupilha atinja os níveis de excelência que atraem os olhares de amplos setores para suas escolas públicas, porque tem equipes diretivas muito competentes e comprometidas.

Já ao órgão gestor da Educação no Município, a Secretaria Municipal de Educação, onde tive a oportunidade de atuar por alguns anos no final da minha carreira, cabe um papel de grande responsabilidade. Deve formular e fazer executar a Política Municipal de Educação. Deve promover a formação constante de seus profissionais, apoiando-os em suas inciativas, remunerando-os de forma digna. Deve cuidar da estrutura física dos prédios escolares, adequando-os às necessidades da comunidade escolar. Deve gerir a alimentação escolar e suprir as escolas com o quadro de funcionários necessário ao bom andamento de cada escola.

Além de todos estes atores, ainda é necessário falar da importância das comunidades escolares, da sociedade em sua integralidade, pois uma escola não é uma ilha. Ela faz parte de um todo. Na escola estão as crianças e adolescente que vivem nas famílias, que levam consigo seus valores, sua cultura, suas dificuldades. Em sociedades que valorizam a educação, estudantes apresentam melhor desempenho e persistem na escola. Quanto mais sociedade e a escola dialogarem, quanto mais estiverem juntas, melhor será a escola e melhor será a sociedade.

Continuo a acreditar na Educação, desde que ela represente o desejo de uma sociedade educadora, desde que seja uma prioridade para todos, desde que cada ente cumpra o papel que lhe cabe cumprir.