O Farroupilha
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Àquela que partiu tão cedo

Por vezes, as palavras não fazem falta. O que dizer quando uma menina parte para inaugurar um outro universo?
Os filhos são para sempre. Neste solo secreto florescem novas borboletas. Cada adoção tem o seu tempo. Adota-se uma menina que anda muito; parte tão cedo, afável e abençoada, para outro jardim e não nos leva.
Chega o Dia das Mães. Ah!!! O dia que todos adoram. Os filhos que estão longe voltam para casa. As mães esperam ansiosas pelo abraço dos filhos que alçaram voos. Chega o dia ...
Acorda-se esperando o almoço da família mais uma vez reunida em encontro fraterno. Acorda-se com saudades. Na verdade, dorme-se com saudades. Hora após hora, mês após mês, a estação da dor parece não ter fim.
- Durmo há sete meses com saudades da filha número um. - Escreveu a mãe da menina. - Era assim que ela se intitulava. Ela não era a filha mais velha, mas, desde que chegou, passou a ser a número um. Ela e a mana assim se acertaram. Aquela que nasceu primeiro aceitou de bom grado passar a ser a número dois. Assim foi por 9 anos.
A borboleta foi alçar voos mais altos. Por aqui restou a saudade e a certeza de que um dia o reencontro será lindo. Chorar, sorrir, ser amada e acalentada é da natureza dos alicerces muito fortes.
Só as mães de anjo sabem a dor que trazem no peito. A dor de um amor maior que não está aqui, mas que está presente em todos os momentos do dia. Cada detalhe soa pela casa e traz de volta tantos risos.
Na reunião, cada pessoa chegou com uma rosa branca. Naquele momento, a menina que partiu tinha muitas mães, pais e irmãos:
- O que posso dizer é que a dor é insuportável. Tem sido difícil aceitar que a minha bebê foi morar com Deus. Aceito, mas não entendo. Sou mãe e como todas as mães meus planos para ela eram muitos. O dia de ontem foi para mostrar que família independe da consanguinidade. Minha família amada que se adota todos os dias.
Não há palavras certas. O cultivo é de cada um. No sonho, a menina vem correndo com uma rosa branca na mão e dá para a mãe.