O outro lado do ouro
Casada com o farroupilhense medalhista olímpico
Éder Carbonera,
da Seleção Masculina de Vôlei, a paulista Natália
conta como é desempenhar este papel

Não é só o ouro da medalha conquistada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro que brilha na vida dos jogadores da seleção masculina de voleibol. O dedo anelar da mão esquerda de alguns deles sustenta outra importante conquista: a do coração. Conversamos com a esposa do farroupilhense Éder Carbonera, que nos contou como é participar da mais representativa vitória para um atleta. Natália Carbonera.
A paulista, engenheira de alimentos, que mora e trabalha em Florianópolis, conheceu o jogador na mesma cidade, em 2010, época em que Éder jogava na Cimed catarinense. Namoraram um ano e casaram-se há cinco. Desde que nos conhecemos, não nos desgrudamos mais. Não é fácil ser esposa de atleta, mas acredito que nosso principal papel é ser o apoio, em todos os sentidos, comenta.
Com uma vida absolutamente isenta de rotina, segundo ela, o casal passa a maior parte do tempo convivendo com a distância. Eu sempre vou até ele, principalmente nos finais de semana. Atleta não tem sábado, não tem domingo, até porque a maioria dos jogos acontece nestes dias. Tenho meu trabalho, então passamos muito tempo distantes, conta.
Mudanças
O casal acaba de experimentar a glória, mas nem sempre foi assim. Em 2012, nas Olímpiadas de Londres, foi uma ocasião muito difícil. O Éder não teve muitas oportunidades, estava lesionado e foi bem complicado. Nos submetemos a um trabalho com um coaching e as mudanças foram sensacionais. Foi o incentivo necessário para que ele desse o salto na carreira, analisa Natália.
Éder conquistou vários títulos ao longo da trajetória iniciada na UCS, aos 15 anos de idade. É um jogador experiente aos 32 na Funvic Taubaté, em São Paulo. Somos muito parceiros, nos respeitamos muito e entendemos os objetivos um do outro. Somos almas gêmeas, como está gravado em nossas alianças, declara a esposa.
Com o trabalho do marido, Natália está sempre viajando, conhecendo lugares e pessoas novas. Este fato representa o lado positivo e ao mesmo tempo negativo da rotina imposta pela vida profissional de Éder. Não conseguimos nos estabelecer em um local e por isso estamos adiando o plano de termos filhos. Queremos pelo menos uns dois filhos, mas em outra época. O Éder ainda tem uns anos como atleta e depois vamos analisar o que faremos, diz a moça na tranquilidade de seus 26 anos.
Olimpíadas
O período que antecedeu os jogos olímpicos foi muito tenso! Até o Bernardinho não definir os jogadores passamos por uma tensão. O Éder passou quatro anos de dedicação intensa, se preparando com muito esforço, sem folgas. Comemoramos muito quando soubemos que ele estava nas Olimpíadas, recorda-se.
Natália diz que o primeiro jogo foi inesquecível! Eu olhava para ele em quadra e um filme passava pela minha cabeça. Valeu a pena passar pelo o que passamos, sem dormirmos juntos, sem acordarmos juntos, sem o beijo de bom dia ou de boa noite. A medalha de ouro é uma conquista muito gratificante. Foi incrível! No final, ele chorava no pódio e eu do outro lado. Agradeci por ele ter me escolhido como esposa, porque pude vivenciar uma emoção que nunca vou esquecer, confessa.
A moça não esconde na voz a alegria por ser a esposa do Éder, ainda que tenha que enfrentar a ausência dele em momentos importantes para ela, como na apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso da faculdade, ou na colação de grau.
Passou o feriado de 7 de setembro sozinha, mas sabe que logo estará nos braços do amado. Breve, a folga rara de Éder possibilitará ao casal a visita aos pais do jogador, em Caxias do Sul. Nossa vida é assim, eu e a família dele estamos sempre o apoiando e viajando até ele. Mas sabemos que ele está fazendo o que ama fazer, por isso que dá tão certo, finaliza.
TEXTO:
CLAUDIA IEMBO
