Safra da uva impulsiona expectativas do setor para a Wine South America

Estimativa do setor aponta produção próxima de 900 milhões de quilos de uva no Rio Grande do Sul, com vinhos e espumantes que devem movimentar negócios na próxima edição da WSA

O mês de março marca a reta final da safra da uva no Rio Grande do Sul. Neste ano, a produção deve se aproximar de 900 milhões de quilos colhidos, apontando um cenário promissor para a vitivinicultura brasileira. A expectativa do setor é que o volume produzido no Estado supere as projeções iniciais e registre crescimento de até 15% em relação à safra anterior, segundo dados do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). Parte importante dos vinhos, espumantes e derivados elaborados a partir desta safra irá movimentar o mercado ao longo do ano e estar no centro das negociações da próxima edição da Wine South America (WSA).

A projeção de 900 milhões de quilos de uva considera a uva destinada à indústria, ao consumo in natura e à elaboração de vinhos artesanais. O aumento no volume colhido acompanha a evolução da colheita nas principais regiões produtoras e reforça o otimismo do setor para a elaboração de vinhos, espumantes, sucos e outros derivados. Para muitas vinícolas brasileiras, a Wine South America representa um dos primeiros grandes momentos de apresentação ao mercado das expectativas relacionadas à nova safra, e uma oportunidade de ampliar conexões comerciais.

  • A Wine South America é uma feira profissional que ocorre de 12 a 14 de maio, em Bento Gonçalves. O evento reúne produtores, compradores e especialistas da cadeia vitivinícola da América Latina.

Na Vinícola La Grande Bellezza, de Pinto Bandeira, a sensação é de otimismo: as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das variedades cultivadas, segundo os proprietários, Rossano Biazus e Cristiana Petriz. “A safra estava excepcional. Todas as variedades se ajustaram às condições climáticas, resultando em uvas sadias e com maturação precisa. Chardonnay e Pinot Noir originaram vinhos base para espumantes muito equilibrados, enquanto as uvas tintas estão com maturação excelentes condições”, destacam.

A expectativa é apresentar os principais rótulos da marca durante a feira. “Pretendemos mostrar na Wine South America toda a nossa gama de vinhos e espumantes. A expectativa é a melhor possível, é uma feira onde os vinhos nacionais se sentem à vontade, alinhados às expectativas dos compradores”, descrevem. Além de ser um espaço para negociações comerciais, a WSA também se consolida como uma vitrine para tendências e perspectivas do setor, reunindo produtores de diferentes regiões vitivinícolas do Brasil e do exterior.

A realização da feira na Serra Gaúcha, maior região produtora de vinhos e espumantes do País, favorece não apenas a prospecção comercial, mas também proporciona uma vivência imersiva para os compradores. Durante o evento, representantes de diversas redes varejistas, importadoras e distribuidoras também poderão visitar vinícolas da região para conhecer de perto seus processos de produção, criando assim um ambiente estratégico para fomentar parcerias, ampliar canais de comercialização e fortalecer a presença dos vinhos brasileiros no mercado.

Safra confirma qualidade mesmo diante de desafios climáticos na Serra Gaúcha

Superar desafios climáticos que podem surgir ao longo do ciclo da uva faz parte da rotina da vitivinicultura. Mesmo diante de adversidades pontuais registradas nesta safra, a vindima 2026 vem confirmando um cenário positivo para diferentes regiões produtoras da Serra Gaúcha. Em áreas como Flores da Cunha e Nova Pádua, onde está localizada a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes, a avaliação é de uma safra marcada por boas condições de maturação das uvas. As vinícolas associadas da região já preparam seus rótulos para participar da WSA, confirmando presença em mais uma edição.

O enólogo André Tonet, presidente da Altos Montes, explica que o ciclo climático contribuiu para o desenvolvimento equilibrado das videiras. “Tivemos um inverno rigoroso e uma primavera com chuvas dentro da normalidade, o que favoreceu a brotação. Já o início de 2026 registrou precipitações abaixo da média, permitindo uma maturação plena das uvas. Por isso vislumbramos uma safra de grande destaque, semelhante à de 2020”, destaca.

  • Em algumas localidades, o ciclo também exigiu resiliência dos produtores. Em dezembro de 2025, um tornado atingiu o interior de Flores da Cunha, na localidade Travessão Alfredo Chaves, causando danos em vinhedos e estruturas produtivas.

Na vinícola Terrasul Vinhos Finos, por exemplo, tanques de armazenagem e parte da estrutura foram afetados. Mas a mobilização da comunidade vitivinícola foi rápida: mutirões organizados por produtores da região, com apoio de viticultores de outras cidades da Serra e do Exército, ajudaram na reconstrução das estruturas e na retomada das atividades. “Mesmo com todos esses desafios, acreditamos que a qualidade da safra 2026 tenha sido muito boa e, no geral, com produção acima da média”, afirma Augusto Salvador, enólogo e proprietário da Terrasul.

  • A capacidade de adaptação dos produtores e o trabalho coletivo sublinham a força da vitivinicultura gaúcha, tradição que se reflete nos vinhos e espumantes que chegarão ao mercado nos próximos meses e que também estarão presentes na próxima edição da Wine South America.

Mais de 200 vinícolas nacionais confirmam presença na WSA

A Serra Gaúcha, maior região produtora de vinhos do Brasil e sede da Wine South America, será palco de um número recorde de vinícolas brasileiras na edição de 2026. Na última edição da feira, realizada em 2025, participaram cerca de 200 marcas nacionais, representando diferentes terroirs do País, como Serra e Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Serra Catarinense, Vales da Uva Goethe, Cerrado Goiano, Vale do São Francisco, Serra da Mantiqueira e Brasília –  região que estreou no evento e já confirmou retorno.

Entre as vinícolas que já garantiram presença na próxima edição estão nomes tradicionais do setor:

  • Miolo
  • Aurora
  • Don Guerino
  • Pizzato
  • Nova Aliança

Além de entidades representativas de importantes regiões produtoras, como:

  • Aprobelo (Monte Belo do Sul)
  • Afavin (Farroupilha)
  • Aprovale (Vale dos Vinhedos)
  • Altos Montes (Flores da Cunha)

A edição de 2026 também deve reunir vinícolas de todas as regiões produtoras do Brasil, evidenciando a diversidade e a evolução da vitivinicultura nacional. Estão representados terroirs como:

  • Serra Gaúcha
  • Campanha Gaúcha
  • Serra do Sudeste
  • Campos de Cima da Serra
  • Serra Catarinense
  • Vales da Uva Goethe (Santa Catarina)
  • Cerrado Goiano
  • Vale do São Francisco
  • Serra da Mantiqueira
  • Brasília

O evento reforça a relevância das regiões com certificação de origem, como as Denominações de Origem Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira, além de Indicações de Procedência como Altos Montes e Farroupilha, destacando o salto de qualidade da vitivinicultura brasileira e sua consolidação como produtora de vinhos de padrão internacional.

Presença internacional

  • A Wine South America também se consolida como uma plataforma internacional de negócios, ampliando a presença de países produtores a cada edição.
  • Rótulos de mais de 20 países estarão presentes – entre eles, os inéditos Nova Zelândia e Alemanha, além do retorno da África do Sul.
  • Já tradicionais no evento, Itália e Portugal devem ampliar sua presença, reforçando o caráter internacional da feira, bem como a participação expressiva de Chile, Argentina e Uruguai.
  • A edição deste ano reunirá, em um único ambiente, mais 400 marcas nacionais e internacionais, oferecendo um amplo espaço para a realização de negócios ao longo de toda a cadeia vitivinícola.
  • A diversidade de origens e estilos consolida a Wine South America como um dos principais pontos de encontro do setor na América Latina, conectando produtores, importadores, distribuidores e compradores de diferentes mercados.