91 ANOS DE FARROUPILHA – Dona Carlinda, de 102 anos, é pura energia

Claudia Iemboclaudia@ofarroupilha.com.br O sorriso no rosto com o qual fui recebida em sua casa entrega muito da personalidade da dona

Claudia Iembo
claudia@ofarroupilha.com.br

O sorriso no rosto com o qual fui recebida em sua casa entrega muito da personalidade da dona Carlinda Soares Ferreira, a simpática senhora que, no último 12 de novembro, completou 102 anos, vividos de forma que não aparentam em seu físico, nem em sua mente.
Nascida em 1923, em Capão do Cedro, Lagoa Vermelha, ela chegou a Farroupilha em 1976, quando o marido, Crescêncio — professor de dança — comprou a casa onde ela vive até hoje, no bairro São Luiz. Ali, criou os nove filhos: Nelson, Nicanor, Wilson, Itália, Geni, Maria, Eurídes e Terezinha (um, faleceu). Todos nascidos em casa. Terezinha, a caçula, e Eurídes são os filhos que moram com ela atualmente.
Com uma família extensa: 22 netos, 23 bisnetos e três tataranetos, a senhora se acostumou a ter a casa cheia e nos almoços de domingo, não abre mão disso.

“Sabe qual o segredo? Alegria, dançar!”, conta. Este gosto pela vida parece acompanhar dona Carlinda desde sua juventude. Há pouco tempo, a visão começou a falhar e por causa disso, ela deixou de ir aos bailes, mas ainda dança na sala de casa. “Não sou muito da tevê, mas não fico sem música e quando vejo, estou dançando”, diz entre risadas. Ela fazia parte do grupo da terceira idade e com ele viajou para a Bahia, há cerca de três anos. “Antigamente, nos aniversários da família, fechávamos até a rua para dançar! No aniversário dela, comemorado no Salão Luterano, a mãe dançou com os convidados e cansou todos eles. Eles cansaram, ela, não”, conta a filha, Terezinha.

O marido já se foi, mas a dança ficou. Talvez aí esteja parte do segredo de sua longevidade. A outra parte, ela distribui em hábitos simples: meia taça de vinho no almoço e outra no jantar; nada de açúcar – “não gosto de doce” – feijão com torresmo e café com farinha de mandioca. E muita alegria, claro! Internada, nunca foi. Não tomou e não toma remédios, com exceção de um para o colesterol e outra vitamina. Para ela, cuidar da saúde sempre significou caminhar até o centro, estar com as unhas feitas e o cabelo arrumado. Na família, longevidade é herança: a mãe, dona Francelina, viveu até os 115 anos, e o pai, Juviano, até os 108.

  • Sempre cercada pelos seus e pela vizinhança que sempre encontra uma cuia em sua casa – a vizinha Márcia fez parte da conversa e disse que é tratada como filha – dona Carlinda frisa a receita: “alegria, família e, claro, uma boa dança”, finaliza.
Dona Carlinda esbanja disposição e alegria