Dino José Dorigon, com maestria, elevou altares e planejou ambientes com seus estofados

Reportagem especial: José Ademir Theodoro O programa Aqui é Meu Lar, da Rádio Miriam, apresentou no dia 25 de outubro

Reportagem especial:
José Ademir Theodoro

O programa Aqui é Meu Lar, da Rádio Miriam, apresentou no dia 25 de outubro passado entrevista com Dino José Dorigon, 96 anos. Apesar da idade avançada, seu Dino ainda tem muitas lembranças da história que seus descendentes contavam sobre a origem da sua família. Ele lembra que seu bisavô migrou de Morgano, na Itália, região da comuna italiana do Vêneto, província de Treviso, quando seu avô tinha um ano de idade. A família possivelmente tenha se abrigado na região onde hoje é a Linha 47, pertencente a Linha Jacinto.

Ele recorda que nessa localidade, seu avô construiu um casarão de madeira com dois andares e tinha um salão enorme, onde aconteciam as festas da família. Dino conta que um de seus tios tocava gaita e quando criança participava das festas com seus pais no casarão do avô. Seu avô por parte de pai teve 14 filhos, sendo sete homens e sete mulheres. A sua memória ainda não apagou o tempo em que seus pais iam visitar o casarão. E conta que quando visitavam a bisavó, era costume levar um tipo de bolinho com açúcar, que já se comprava pronto e ela gostava muito e ficava contente quando ganhava.

Dino diz que conheceu sua bisavó com 96 anos de idade. Ainda está na lembrança o último dia em que a viu. “Estava vestida de preto e com um lenço preto amarrado na cabeça, quando eu dei aquela caixinha com doces, ela ficou muito contente. Depois daquele encontro, nunca mais a vi”, rememora. Pelo que Dino ainda lembra, seus descendentes chegaram de Morgano ao Brasil e se espalharam para Bento Gonçalves, Veranópolis, Farroupilha e Porto Alegre. Dino, porém, nasceu em uma pequena casa próximo à Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, no centro de Farroupilha, próximo à fábrica de altares de Alexandre Bartelle.

  • Um ano depois seu pai fez uma casa melhor próxima da residência do monsenhor Tiago Bombardelli, onde viveu grande parte de sua vida. O pai Maximiliano Dorigon teve cinco filhos, são três homens e duas mulheres.

Dino José Dorigon nasceu no dia 9 de janeiro de 1929, casou-se aos 30 anos com Aloysia Muller, com 25 anos à época. Eles se conheceram em um dos bailes que costumavam frequentar, na comunidade de Feliz, hoje município. São três filhos: Henrique, André (in memoriam) e Marlene, e uma neta, Vivian. Traz à memória, com muita emoção, um lugar especial desde a infância, a Igreja Matriz de Farroupilha. O local mantém muitas lembranças de uma vida marcada pelo trabalho e fé.

Ele conta com muito orgulho a sua participação direta na construção da igreja, uma obra gigantesca e também a passagem como sacristão nas missas do monsenhor Tiago Bombardelli. Junto com o Alexandre Bartelle e o pai Maximiliano, conhecido como Tomazo, Dino começou como marceneiro, e foi um dos responsáveis por talhar o altar da igreja Matriz. Aos 14 anos iniciava sua vida profissional como marceneiro e entalhador (escultor) na Fábrica de Altares Bartelle, onde seu pai Tomazo, trabalhou por quatro décadas.

Dino trabalhou na fábrica de 1942 a 1961, quando saiu para criar a sua própria empresa de estofados. Consta na história do setor que foi a primeira no Rio Grande do Sul, a Indústria de Estofados Dorigon. Mais tarde, com o apoio da esposa Aloysia, inaugurou a Dorigon Móveis e Decorações, localizada na Rua Júlio de Castilhos, 1.582, esquina com a Avenida Santa Rita. Dino José Dorigon ainda conta que os altares eram fabricados exclusivamente em cedro, por ser uma madeira maciça e mais dócil para trabalhar.

Algumas encomendas de esculturas eram folheadas a ouro entre 18 a 20 quilates. Lembra que o material vinha entre folhas de livrinhos e eram tão finas que qualquer movimento podia quebrá-las. Por isso, era preciso cuidar até do vento. Para aplicá-las na madeira, eles passavam uma camada de um verniz especial, que demorava para secar. Havia também folhas de metal, de origem alemã, que era assentado na madeira com algodão.

A empresa

A Dorigon Móveis em Farroupilha foi fundada em 1961 por Dino José Dorigon, que começou fabricando estofados em uma pequena casa de 50 metros quadrados. A empresa se expandiu ao longo das décadas, passando da fabricação de estofados para a venda de móveis planejados, salas de estar e jantar, tapeçaria e objetos de decoração, e se tornou uma referência no setor moveleiro da região. Foi a pioneira do setor na Serra Gaúcha.

  • A empresa começou como Estofados Dorigon Ltda, focada na fabricação de estofados.
  • A produção local na época era pouca e a maioria dos móveis vinha de São Paulo.
  • Ele aprendeu a fazer estofados desmontando produtos para entender a técnica.
  • Hoje, comercializa uma variedade de produtos de fabricação própria e se consolidou como loja de móveis e decoração.