Sesc Farroupilha continua sob olhar feminino
Depois de 21 anos, ela está deixando o Sesc Farroupilha para traçar seu caminho na Psicologia, em Porto Alegre. A despedida de Grasiela Savi e as boas-vindas a Clariana Zanatta, que ocupa interinamente o cargo de diretora de Unidade Operacional

Claudia Iembo
claudia@ofarroupilha.com.br
Jornal O Farroupilha: Grasi, você está com 41 anos. Foram 21 anos de Sesc? Metade da sua vida vivida
dentro da instituição. Por que está saindo?
Grasiela Savi: Sim. Entrei no Sesc com 20 anos de idade, no dia 20 de junho de 2005, e o Sesc foi inaugurado em Farroupilha no dia 29 de junho daquele mesmo ano. Então acompanhei toda a trajetória da instituição no Município. Metade da minha vida estive dentro do Sesc. Trabalhei muito e me dediquei intensamente para contribuir com o crescimento e desenvolvimento da instituição. Nosso sonho de ter uma unidade nova se realizou, e sempre fui — e ainda sou — muito feliz no Sesc, mas chegou a hora de me desafiar em novos caminhos. Estudei Psicologia e me formei em 2023. A partir daí, comecei os atendimentos clínicos em paralelo ao meu trabalho no Sesc. Hoje, percebo que preciso dar esse passo e me dedicar à clínica. Por isso, estou com o coração apertado. É uma escolha minha, mas também carrego um sentimento enorme de apreço e gratidão pelo Sesc.
JF: O que te levou a estudar Psicologia?
GS: Eu queria entender mais as pessoas. Na liderança, temos o grande desafio de desenvolver quem está ao nosso lado e enxergar além do que os olhos podem ver. Sempre tive o sonho de ser psicóloga, mas, no início da minha carreira, eu não tinha condições financeiras de pagar a faculdade. Então me formei primeiro em Administração de Empresas, depois fiz Pós-Graduação em Gestão de Pessoas e, quando estava mais estabilizada financeiramente e mais madura, me aventurei na Psicologia — e me apaixonei ainda mais. Sempre tive uma escuta atenta e um olhar cuidadoso com todos. Acredito que isso também se refletiu nos resultados que construímos juntos, como o índice de satisfação dos funcionários, que hoje está em 96%. Agora chegou a hora de me desafiar e fazer o que amo fora do Sesc: atuar na clínica, ajudando pessoas e contribuindo para a saúde mental de quem precisa.
JF: Como foi tomar a decisão de dar outro rumo para sua vida?
GS: Foi muito difícil, porque eu gosto muito do que faço e acredito profundamente no propósito do Sesc. Mas eu precisava escolher. E toda escolha também traz uma renúncia. Neste momento, precisei escolher a clínica e a carreira na Psicologia, porque estudei para isso e amo trabalhar com saúde mental. Também quero construir minha família. Hoje, meu noivo mora em Porto Alegre, e pretendo me mudar para lá para construirmos nossa vida juntos.
JF: O que foram estes anos dentro do Sesc? Tem como definir?
GS: Foram anos desafiadores, mas também muito felizes e divertidos. Eu sempre me diverti muito em todas as atividades e eventos. Pensávamos tudo com muito carinho, buscando entregar experiências diferentes e especiais para a comunidade. Eu queria muito retomar o Abril Cultural, que foi um marco, e conseguimos implementar o Quintal Cultural, um evento totalmente gratuito para a comunidade farroupilhense. Também tinha o sonho de realizar uma Meia Maratona em Caravaggio, e já estamos indo para a terceira edição. Neste ano esperamos mais de mil atletas. São pessoas de muitos municípios vindo para a cidade. Sempre pensei em realizar grandes eventos que trouxessem visitantes para Farroupilha, fomentando o comércio, hotéis, restaurantes e fazendo com que mais pessoas conhecessem nossa cidade.
JF: Sai da instituição levando quais aprendizados? É possível citar os mais marcantes?
GS: Levo muitos aprendizados. Tantos que nem sei explicar, porque o Sesc realmente me transformou e ajudou a construir quem eu sou hoje. Mas acredito que a proatividade e o olhar atento aos detalhes foram alguns dos maiores aprendizados. Em todos os eventos, eu sempre me preocupei muito com a segurança das pessoas, com a satisfação e com a melhor experiência possível para os clientes. Esse cuidado com as pessoas talvez tenha sido o maior ensinamento de todos.
JF: Que mensagem quer deixar para todos que acompanharam seu trabalho até aqui?
GS: Quero agradecer a toda a comunidade que me acolheu nesses 21 anos. Aos clientes do Sesc, fornecedores, imprensa, Sindilojas, Sindigêneros, Senac e, principalmente, à minha equipe maravilhosa, que sempre abraçou todas as ideias — até as mais malucas — e fez tudo acontecer junto comigo. Vou sentir muita saudade de todos. E tenho certeza de que, sem essas pessoas, o Sesc não seria o que é hoje.
O Sesc me transformou e ajudou a construir quem eu sou hoje – Grasiela Savi
Clariana Zanatta
Grasiela está saindo e deixando em seu lugar uma pessoa que conhece bem a instituição, pois está nela há sete anos e meio, tendo traçado um crescimento profissional significativo: Clariana Zanatta.
“Recebo com muita gratidão e responsabilidade. Suceder interinamente a gestão da Grasi é o maior reconhecimento que eu poderia ter, considerando a história dela na Instituição, os resultados da nossa equipe e conhecendo a pessoa que ela é. Aprendi muito com ela. Foram anos juntas, trocando ideias, dividindo a mesma sala, dilemas, aconselhamentos e risadas. Nos tornamos uma dupla e tanto no Sesc! O coração aperta, pois vou perder minha referência de liderança e amiga, mas sei que ela está indo atrás dos seus sonhos”, diz Clariana.
A partir de 1º de junho, Clariana assume o desafio de seguir com as atividades planejadas pela instituição, ocupar o cargo de diretora interinamente, o que, segundo ela, não muda o comprometimento. “Devemos seguir com o trabalho que já vem sendo feito e isso é honrar o que a Grasi fez pelo Sesc. Ainda de certa forma, também é honrar a história da Luciana Stello, quando esteve à frente do Sesc aqui em Farroupilha. Duas mulheres incríveis que construíram o Sesc Farroupilha! Eventos culturais, esportivos, palestras, nossos grupos da maturidade ativa, EJA, nossas parcerias com os outros municípios, enfim seguir entregando nossos serviços com a qualidade de sempre”, garante.
Clariana tem em mente algumas importantes metas e elas estão logo aí. “Aproxima-se o momento de olhar para o que projetamos em 2026 e realizar os ajustes para fecharmos as contas e logo mais os projetos e o orçamento de 2027, baseados nas diretrizes da Direção Regional. Esses são dois momentos importantes e agora será a primeira vez que farei direto com a equipe. Falando no nosso time, outro desafio será manter a satisfação dos nossos colaboradores em 96%. Outro desejo que tenho é receber o Prêmio de Reconhecimento que as Unidades recebem por alcançarem os melhores resultados do Estado. Nos últimos anos fomos agraciados. Uma das metas é ao final deste ano trazer este reconhecimento”, compartilha.
A mãe do Bento, de um ano e quatro meses, e da pet Mavie, esposa do Bruno, entrega mais sobre si mesma. “Sou uma pessoa de muita fé, apaixonada por pessoas e lugares que contam histórias, um bom café da tarde, chocolate e fotografia”, garante. Já que confessou uma das suas paixões, ela assegura que sua gestão no Sesc Farroupilha será muito próxima das pessoas. “Acredito que ter a vivência que já tenho com a equipe é muito positivo para todos. Esse tempo e a intensidade do Sesc nos faz criar relações baseadas na confiança e isso é fundamental para entregar a gestão que eu desejo, próxima e segura emocionalmente para equipe”, finaliza a moça que “quer continuar enxergando as pessoas felizes com tudo aquilo que o Sesc proporciona”.
Eu amo o sentimento que o Sesc desperta nas pessoas – Clariana Zanatta
