Pai à distância: “O importante é que ela esteja feliz”
Moacir é só mais um pai, entre tantos, que vive a saudade de quem resolveu voar para longe. Respeitar a escolha de um filho sempre se mostra como prova de amor

Claudia Iembo
claudia@ofarroupilha.com.br
Em Farroupilha, quem passou pelas principais redes de mercado do Município, um tempo atrás, certamente viu o Moacir Elói Mósena trabalhando por lá. Agora ele está aposentado e aproveitando a família: a esposa Silvana, a filha Júlia e a cada pouco, a filha Ana Cristina, que há cinco anos foi morar nos Estados Unidos. Neste Dia dos Pais é ele quem conta como é ser pai à distância.
Cinco anos atrás, quando a filha anunciou que iria morar nos Estados Unidos, Moacir diz que não conseguia falar sobre o assunto sem chorar. O medo vinha acompanhado das perguntas que qualquer pai faria diante de uma decisão tão grande. “Quando ela disse que ia morar para lá, eu só chorava. A gente não conhecia nada, não sabia como seria a vida dela”, lembra.
Hoje, a saudade continua presente, mas o medo ficou para trás, especialmente depois da primeira viagem que Moacir e a esposa fizeram para visitar a filha. Veterinária, Ana Cristina, hoje com 35 anos, foi aos Estados Unidos para um intercâmbio. Lá conheceu o marido, um norte-americano, casou-se e decidiu permanecer no país. Atualmente mora em Bloomington, próximo a Chicago, onde trabalha em uma empresa farmacêutica.
Ao conhecer a nova rotina da filha, a casa onde ela vive e a família que a acolheu, o pai encontrou a tranquilidade que ainda não existia quando ela embarcou. “Depois da primeira visita, a gente ficou mais tranquilo. Vimos que ela estava bem, muito bem, com a nova família. Os sogros dela também já vieram nos visitar aqui”, conta.
Desde então, a distância passou a ser administrada de outras formas. As conversas acontecem praticamente todos os dias pelo whatsapp. “Mesmo estando longe, a gente se fala e praticamente se vê todos os dias”, diz o pai. A outra filha do casal, Júlia, mora perto dos pais e está presente quando precisam de ajuda no dia a dia. A família procura se reunir a cada dois anos.
Ora Ana Cristina vem ao Brasil, ora os pais e a irmã viajam até os Estados Unidos. Em julho, estiveram juntos por lá e desfrutaram de um mês inteiro na companhia um do outro. Ainda assim, há momentos em que a ausência pesa mais. “Quando a família se reúne nas festas, a saudade bate forte. A gente gostaria que ela estivesse junto de nós”, confessa Moacir.
Ao longo desses cinco anos, porém, um sentimento passou a ocupar mais espaço do que a preocupação. “O importante é que ela esteja feliz onde está morando”. A frase se repete algumas vezes na fala de Moacir, quase como quem faz questão de lembrar a si mesmo que o caminho escolhido pela filha merece ser respeitado.
Ele admite que, se pudesse escolher, preferiria ter a filha por perto, mas entende que a felicidade dela não depende da distância que os separa. “Os filhos, com o tempo, vão fazer a própria vida. A gente não pode impedir. Os pais sempre querem os filhos perto, mas nem sempre se consegue. O importante é saber que eles estão felizes, isso que importa para um pai”, enfatiza.
Moacir, e todos os outros que vivem a paternidade à distância, sabem que a saudade não deixa de existir, mas ela passa a caminhar ao lado da certeza de que os filhos estão traçando o caminho que escolheram para si. Feliz Dia dos Pais!


