Mais de 60 anos de trabalho divino
Padre Fábio Piazza, pároco de Nova Milano, comemorou nesta semana, 61 anos de sacerdócio e 93 anos de idade

Tatiane De Bastiani
Mais que uma história. Mais do que bodas de diamante. Um exemplo de vida. Na última quinta-feira, dia 8, o Padre Fábio Thomas Piazza, comemorou 61 anos de ordenação sacerdotal e na última segunda-feira, 93 anos de idade. Ele é um exemplo de vida. De uma longa vida. Com muitas histórias, como ele mesmo diz. Para marcar estes momentos, foi realizado uma celebração em sua homenagem, na linha Boêmios, interior do município, no último domingo, dia 4. Agora ele tem mais uma missão: trocar novamente, de localidade. Sua casa passará a ser o Santuário de Caravaggio, onde já se hospedou.
Nascido na localidade de Nova Milano, é o último dos 10 filhos de Giulio Piazza e Giulia Radaelli. Mas sua trajetória não se conteve em estar apenas aqui. Com 17 anos de idade, Padre Fábio tomou a iniciativa de matricular-se no Seminário Imaculada Conceição, em São Leopoldo. Depois, também fez curso ginasial no Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias do Sul. Era o início da concretização de seu sonho. Mas segundo ele, ser padre não é uma vocação que se aprende, é um dom divino, que não há como explicar.
Com o auxílio de sua família, que inclusive, também tem muitos servidores de Deus, seguiu sua trajetória. É preciso que ele reine. Este foi seu lema escolhido, quando ordenado padre em Nova Milano, por Dom José Baréa, em 1950. De lá para cá, muitos foram os caminhos percorridos. A pé, a cavalo, de motocicleta, de jipe de guerra e hoje, de carro.
Padre Fábio trabalhou primeiro em Caxias do Sul, depois em Cambará do Sul, voltou a Farroupilha, foi a Coronel Pilar, depois Marcorama, Cotiporã, foi até outro estado, Nova Andradina em Mato Grosso do Sul, voltou a Farroupilha, voltou ao estado de Mato Grosso do Sul, voltou a Caxias do Sul e por fim, está aqui conosco, em Nova Milano, há 21 anos. É inevitável o cansaço, só de imaginarmos já nos damos conta, mas quem trabalha pelo amor, como Fábio, tudo supera.
Quem diria que um simples coroinha, se tornaria um vigário, um pároco e um missionário, para tantos irmãos. A paixão pelo canto e a arte, sempre acompanharam sua trajetória. Seu escritório é repleto de quadros, que mexem com as pessoas, livros e fotos, que ele muito gosta. Quem já visitou, sabe disso.
Mas o Padre Fábio não foi só padre. Já foi Jornalista do jornal Correio do Povo, por cinco anos, militar e também professor, por cerca de uma década, no estado de Mato Grosso do Sul e aqui em Farroupilha, nos Colégios Nossa Senhora de Lourdes e Estadual Farroupilha. Um filho de Deus, com muitos talentos. E sabe o que ele diz disso? Simplesmente que foram as necessidades da vida. Eis aí que se percebe seu grandioso caráter e sua tamanha humildade.
Com quase um século de vida, ele pôde prestigiar muitas conquistas das sociedades locais. Em Caxias do Sul, acompanhou a pintura da Santa Ceia, por Aldo Locatteli, na Igreja de São Pelegrino, em Cotiporã, a construção do ginásio comunitário e aqui em Farroupilha, viu nascer nossa maior Igreja, o Santuário de Caravaggio, para onde retornará.
Padre Fábio também tinha o sonho de conhecer onde Jesus nasceu. Foi para Jerusalém e visitou todos os estados europeus. Também pode estar de perto com o falecido Papa João Paulo II, por três vezes, inclusive sendo presenteado por ele, com um terço.
Mas para Padre Fábio, as maiores alegrias, não vêm das viagens, mas sim, do sacramento da misericórdia. O que toca na alma. Por sermos humanos, podemos falhar e ter desilusões. Este é o seu maior medo. Mas as fontes de alegria e santidade interior, envolvidas em cada celebração, superam tudo isso. Minha missão é amar a Deus e servir os irmãos. Quando você ama, você sofre. Não há como evitar. Mas o sofrimento deve ser visto como a salvação, a purificação divina, comenta Padre Fábio. Parte deste texto foi lida na celebração.
