Renato Bellaver: 60 anos de uma trajetória que se confunde com a história da Colombo
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A história de Renato Bellaver é, também, a história da Colombo. Uma trajetória construída com consistência, ética e visão de longo prazo. Seu legado vai além dos números e dos cargos: ele representa a cultura de compromisso, confiança e crescimento contínuo que sustenta a empresa até hoje. Renato João Bellaver completou no dia 1º de junho, 60 anos de atuação nas Lojas Colombo. Em seis décadas de trabalho, acompanhou a empresa desde uma fase de estrutura simples e processos ainda em consolidação até sua transformação em um grupo de grande porte. Sua trajetória reúne permanência, preparo técnico e participação direta em momentos decisivos da organização. Ao longo desse período, atuou na estruturação administrativa, no acompanhamento financeiro, na organização contábil e, mais tarde, na assessoria jurídica tributária, sempre com presença constante nas transformações da empresa.
Nascido no interior de Nova Milano, Bellaver traz na própria história marcas de superação que ajudam a compreender a firmeza e a sensibilidade com que construiu sua caminhada. Ao recordar a infância e os anos de estudo, relembra experiências que exigiram força desde muito cedo. “Imagine que fui um menino que sofreu muito bullying na escola, justamente por ter o sotaque italiano”, conta. A lembrança revela um percurso de formação atravessado por desafios, mas também por resiliência, uma característica que permaneceria presente em toda a sua vida profissional. Bellaver ingressou na Colombo aos 19 anos, após concluir o curso técnico em Contabilidade na então Escola Técnica Comercial São Tiago. A indicação veio de Vanir Dossim, cunhado e colega de escola.

Antes disso, já havia realizado estágio com Clóvis Tartarotti, diretor da escola e empresário, experiência que lhe deu contato prático com rotinas de controle, organização e responsabilidade profissional. Ainda muito jovem, ele também assumiu uma missão ligada à educação. Entre 1969 e 1973, atuou como professor da disciplina de Contabilidade Comercial no Centro Comunitário Farroupilhense de Educação e Assistência, instituição ligada ao mesmo ambiente formativo em que estudou. Segundo seu relato, nesse período também chegou a assumir responsabilidades equivalentes às da direção da época. A experiência ajuda a revelar que, antes mesmo de consolidar sua longa trajetória na Colombo, já inspirava confiança, senso de responsabilidade e vocação para orientar pessoas.
Dentro da Colombo
Quando foi apresentado a Adelino Colombo, encontrou uma empresa com forte vocação comercial, mas ainda em processo de organização administrativa. O encontro foi rápido, direto e marcante — como tantas decisões importantes costumam ser. Ao lembrar daquele momento, Bellaver resgata uma frase que nunca esqueceu. Adelino foi objetivo ao definir o que esperava dele: “Eu sei comprar e vender. Eu não entendo nada dessas papeladas aí. Isto eu vou deixar para ti”. Naquele instante, começava uma relação profissional baseada em confiança e complementaridade. Coube a Bellaver a missão de estruturar internamente a área contábil e oferecer à gestão informações mais precisas para apoiar a tomada de decisão. Nos primeiros anos, o ambiente de trabalho era o retrato de uma empresa em crescimento: equipes pequenas, funções misturadas e rotina intensa. “Se precisasse atender um cliente, a gente atendia. Se precisasse descarregar uma mercadoria, também fazia”, recorda.
Mais do que uma lembrança pitoresca, a frase traduz o espírito da época um tempo em que todos faziam de tudo, com senso de urgência e disposição para construir. Foi nesse cenário que Bellaver começou a organizar procedimentos e dar método a uma operação ainda em formação. Seu trabalho coincidiu com o início da abertura das primeiras filiais. Ele participou da organização das unidades em Caxias do Sul e acompanhou, em seguida, a expansão para cidades como São Marcos, Flores da Cunha e Vacaria. “Eu acompanhei desde a abertura da primeira loja. Fiz toda a gestão”, resume. Essa presença desde o início ajuda a dimensionar a profundidade de sua contribuição: Bellaver não apenas assistiu ao crescimento da Colombo, ele ajudou a criar as estruturas que a tornaram possível.



Ao longo da trajetória, viveu momentos econômicos especialmente difíceis para o varejo. Entre eles, destaca um período de forte restrição financeira, marcado pela concorrência com grandes empresas, limitações de capital de giro e dificuldades bancárias. Em outra fase, já com a empresa mais consolidada, enfrentou os impactos do Plano Cruzado e suas mudanças bruscas no ambiente econômico. Esses períodos exigiram serenidade, disciplina e leitura rigorosa da operação. Para Bellaver, experiências assim reforçaram princípios que se mantiveram permanentes em sua forma de atuar: acompanhamento próximo da rotina, prudência diante de cenários instáveis e compromisso com decisões bem fundamentadas. “Temos que acompanhar a operação. Diariamente”, afirma.

Sua evolução profissional foi construída passo a passo. Ingressou como auxiliar administrativo e, com o tempo, assumiu funções de maior complexidade, até chegar aos cargos de gerente administrativo-contábil, diretor administrativo, diretor financeiro e diretor geral. Sempre manteve clareza sobre o espaço em que poderia contribuir de forma mais consistente. “Eu nunca ousei me envolver muito na parte comercial, porque não me sinto capacitado para compra e venda. Sempre procurei fazer aquilo que sei e melhorar cada vez mais”, conta. A frase revela uma virtude rara: o reconhecimento técnico dos próprios limites, aliado à disposição permanente para aperfeiçoar o que se faz bem. Essa mesma postura o levou a ampliar a própria formação. Já com a carreira em andamento, decidiu cursar Direito e concluiu a graduação em 1978, na Universidade de Caxias do Sul.
Mais tarde, também realizou pós-graduação em Direito Empresarial pela Fundação Getulio Vargas. A partir dali, somou à experiência contábil e financeira uma atuação jurídica voltada especialmente à área tributária, campo em que permanece até hoje, prestando assessoria e consultoria ao grupo. Um dos elementos mais marcantes de seu relato é a relação de confiança construída com os fundadores da empresa e mantida ao longo de toda a sua trajetória. Bellaver descreve um vínculo profissional baseado em respeito, objetividade e entendimento mútuo. “Desde o primeiro contato, parece que houve uma confiança mútua”, recorda. E completa: “A gente não precisava conversar meia hora para qualquer coisa. A gente se entendia”.
Essa confiança foi decisiva para a longevidade de sua presença na empresa e para o exercício de funções estratégicas em diferentes fases da história da Colombo. Em um ambiente que exigia agilidade e consistência, sua atuação se destacou justamente pela combinação entre competência técnica, discrição e equilíbrio nas decisões. Ao falar sobre o que aprendeu ao longo de seis décadas, Bellaver compartilha um ensinamento que atravessa gerações e permanece atual. “Não parar nunca. Saber que temos que aprender sempre”, diz. Mais do que um conselho, a frase funciona como síntese de sua própria trajetória: alguém que atravessou mudanças profundas sem abrir mão do estudo, da atualização e do senso de responsabilidade.

Presença comunitária
- Fora da empresa, Bellaver também construiu uma atuação expressiva na vida pública e comunitária de Farroupilha.
- Foi vereador entre 1982 e 1988, presidente da Câmara de Vereadores nos anos de 1987 e 1988, vice-prefeito de 1989 a 1992 e candidato a prefeito.
- Ao longo dos anos, exerceu ainda funções de liderança em entidades relevantes da região, como a CICS, a Fundação Nova Vicenza de Assistência, a Associação Farroupilhense Pró-Saúde e o Hospital Beneficente São Carlos, onde presidiu conselhos em diferentes períodos.
- Também esteve à frente da Festa Nacional do Kiwi e Feira da Indústria de Farroupilha em diversas edições.

Essa presença comunitária não foi paralela à sua vida profissional, mas uma extensão natural dela. O reconhecimento conquistado por sua seriedade, sua capacidade de gestão e sua conduta ética abriu caminho para uma contribuição pública igualmente consistente, sempre marcada por compromisso institucional e atenção ao bem coletivo. “Muitos me chamam de Colombo”, comenta, com simplicidade. A frase carrega mais do que reconhecimento: expressa o quanto sua imagem passou a se confundir com a própria história da empresa e como essa trajetória também o projetou como uma liderança respeitada na comunidade.
Vida pessoal
Sua vida profissional sempre esteve acompanhada da vida familiar. Casou-se aos 22 anos com Rosa Beatriz Fagherazzi, com quem teve três filhos: Renata Beatriz, Fabian e Karen. Mais tarde, constituiu família com Anabell Terezinha Madalosso, ampliando esse núcleo ao lado de Natália. Hoje, reúne também cinco netos e uma bisneta. Ao longo de décadas de intensa dedicação ao trabalho, a família esteve presente como base permanente de apoio, afeto e continuidade. Aos 60 anos de Colombo, Renato Bellaver segue em atividade, prestando assessoria e consultoria jurídica tributária ao grupo. Sua permanência não se explica apenas pelo tempo de casa, mas pela continuidade de uma contribuição que se manteve relevante em diferentes fases da empresa.
“Eu me sinto muito feliz em fazer o que faço”, afirma. A frase, simples e sincera, talvez seja uma das que melhor resumem sua história. Porque, em seu caso, permanência nunca significou repetição. Significou presença, adaptação, disciplina e compromisso renovado a cada fase. Mais do que ocupar cargos, Bellaver participou da construção de processos, ajudou a estruturar áreas vitais da empresa, atravessou períodos adversos e contribuiu para consolidar uma cultura de responsabilidade e confiança. Seu percurso se integra à história da Colombo de forma concreta: no trabalho diário, nas estruturas que ajudou a organizar e na presença contínua em decisões que marcaram a empresa ao longo de seis décadas.
- Em sua trajetória, há algo que permanece como valor central e também como legado: a convicção de que crescimento verdadeiro se constrói com trabalho sério, aprendizado constante e relações baseadas em confiança.
- É por isso que a história de Renato Bellaver não fala apenas de longevidade. Fala de pertencimento. E, em muitos sentidos, fala da própria Colombo.


