Vinhos finos moscatéis de Farroupilha conquistam Indicação de Procedência
Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) concedeu às vinícolas filiadas à AFAVIN o certificado de registro da mais nova Indicação Geográfica (IG) de vinhos do país, a Indicação de Procedência (IP) Farroupilha para vinhos finos moscatéis

Renato Dalzochio Jr.
Especial
Na terça-feira, dia 27, os produtores que integram a Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (AFAVIN), receberam do presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Luiz Otávio Pimentel, o certificado de registro da mais nova Indicação Geográfica (IG) de vinhos do país, a Indicação de Procedência (IP) Farroupilha para vinhos finos moscatéis. O acontecimento histórico para Farroupilha foi antecedido por missa de agradecimento, um momento de grande emoção para o presidente da AFAVIN, João Carlos Taffarel, para o vice-presidente Ricardo José Chesini e para os demais associados da entidade, integrantes das empresas: Adega Chesini, Basso Vinhos e Espumantes, Cooperativa Vinícola São João, Vinhos Don Giusepp, Cave Antiga Vitivinícola, Vinícola Cappelletti, Vinícola Colombo, Vinícola Perini e Vinícola Tonini.
Para Jorge Tonietto, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Farroupilha é uma cidade que tem importância histórica na região da serra gaúcha, seja pela colonização, seja no desenvolvimento da vitivinicultura. Importância que ao longo das décadas foi se consolidando com produtos e vinhos. Não é qualquer região que consegue uma localização geográfica do INPI, porque tem que haver uma produção coletiva, tem que ter produtos de qualidade, enfim, atender uma série de exigências de comprovação de que o renome foi se consolidando ao longo do tempo. E Farroupilha conseguiu isso, mostrando um novo estágio de desenvolvimento e de projeção de sua produção no mercado. Isso é um marco conquistado e que vai certamente se consolidar e trazer benefícios ao desenvolvimento da vitivinicultura e se associar cada vez mais ao desenvolvimento do município de Farroupilha.
Segundo Tonietto, para que esses vinhos da Indicação de Procedência possam chegar ao mercado com o selo numerado, com rastreabilidade, etc. Eles precisam atender uma série de padrões de produção e de qualidade. Obviamente a região já atingiu esse padrão, o que ela vai ter possibilidade agora é de colocar no mercado esses produtos com essa identificação, que permite ao consumidor encontrá-los. Existe na AFAVIN um conselho regulador que é responsável por controlar essa produção e atestá-la. Para que isso seja feito, existe um controle nos vinhedos, onde é verificada a variedade, produtividade de origem da uva, análises químicas mais exigentes do que o normal.
Os vinhos precisam passar por análises sensoriais para serem aprovados. Existe uma série de normativas para qualificar esses produtos. Mudanças para o produtor, mas também mudanças para o consumidor, que vai estar se beneficiando deste produto diferenciado.
Ainda de acordo com o pesquisador, o marco inicial para a obtenção do certificado se deu a partir da criação da AFAVIN, em 2005. A partir daí a AFAVIN já procurou a EMBRAPA, mas foi em 2010 mesmo que a gente conseguiu desenvolver um projeto forte para abranger todas as demandas deste trabalho. Tonietto ainda salienta que existem apenas cinco regiões no Brasil com essa indicação. Aqui na serra gaúcha estão quatro: Vale dos Vinhedos, Pinto Bandeira, Monte Belo e Altos Montes e agora Farroupilha. São cinco seletos grupos, vamos dizer assim.
São somente cinco regiões que possuem essa indicação de procedência aqui no estado. Farroupilha faz parte deste seleto grupo e isso leva a imagem de Farroupilha para fora, reforça a imagem do produto e coloca a cidade cada vez mais na vitrine do Brasil, salientou Fabiano Piccoli, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, que também esteve presente, prestigiando o evento.
Conquistamos um reconhecimento, agora temos um grande trabalho pela frente. Espero que esse reconhecimento nos permita melhorar a qualidade dos nossos produtos, tornando-os mais competitivos e reconhecidos no âmbito nacional, disse o presidente da AFAVIN, João Carlos Taffarel. Vamos fazer todo um acompanhamento com os produtores, desde os produtores de uva até as vinícolas, completou.
Já Luiz Otávio Pimentel, presidente do INPI e responsável pela entrega do certificado, reforçou que o produto é fruto de uma tradição, de uma cultura e de todo um esforço dos descendentes de italianos que chegaram aqui há mais de 140 anos e nunca perderam a perseverança de manter a produção de uma uva de qualidade e também de elaborar um vinho de excelência. Vir aqui trazer este certificado significa que o Brasil reconhece que esta é uma região que tem um excelente vinho e que cultua uma tradição de origem europeia, mas que sabe fazer um produto diferenciado, completou.
