Ativista de Caxias do Sul integra delegação brasileira na 13ª Conferência sobre Ciência do HIV, em Ruanda

Cleo Araújo, da ONG Construindo Igualdade, será a única representante do Rio Grande do Sul no evento internacional

A convite do Ministério da Saúde, a ativista Cleo Araújo, coordenadora da ONG Construindo Igualdade, de Caxias do Sul, integra a delegação brasileira que participa da 13ª Conferência IAS sobre Ciência do HIV. O evento será realizado de 13 a 17 de julho, em Kigali, capital de Ruanda. Cleo viaja representando a Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/Aids (RNHTTP), entidade da qual é presidente.

Realizada a cada dois anos, a Conferência IAS sobre Ciência do HIV é o encontro mais influente do mundo sobre pesquisas científicas em HIV e suas aplicações. O evento apresenta as pesquisas e inovações mais recentes na área, buscando orientar a elaboração de políticas públicas em diversos países. “Há mais de 10 anos assumi o compromisso de estar no Conselho Nacional de Saúde. Hoje, mais uma vez a caminho da Conferência IAS, sendo a única pessoa trans representando o Brasil, é um reconhecimento do trabalho que venho fazendo todos os dias. Isso mostra que as nossas vidas valem a pena”, avalia Cleo.

Em 2023, a coordenadora da Construindo Igualdade também esteve na comitiva que participou da 12ª Conferência, realizada na Austrália. Segundo a ativista, cada evento é uma oportunidade para debater os avanços nas pesquisas e buscar alternativas de tratamento e prevenção. “Estou embarcando com a responsabilidade de trazer para debate todas as novidades que forem apresentadas no congresso. E também o compromisso de lutarmos pela vacina contra o HIV. Com a vacina a gente vai salvar milhares de vidas”, completa a ativista.

  • Conforme dados do Ministério da Saúde, mais de 1 milhão de pessoas vivem com HIV no Brasil. Desse total, 81% está em tratamento antirretroviral, o que representa aproximadamente 810 mil pessoas. 95% das pessoas que estão em tratamento têm carga viral indetectável, o que significa que não há transmissão do vírus.

Histórico de lutas

Cleo Araújo tem 45 anos e mais de duas décadas dedicadas ao ativismo LGBTQIA+. Natural de Rio Branco, no Mato Grosso, mora em Caxias do Sul há mais de 20 anos e foi a primeira mulher trans a se formar em Direito na Serra Gaúcha, em março de 2023. Também já foi premiada com o Troféu Mulher Cidadã Caxiense, entregue pela Câmara de Vereadores a personalidades locais que se destacam na luta pelo protagonismo feminino. 

  • Cleo coordena a ONG Construindo Igualdade, entidade que criou a primeira Casa de Acolhimento para LGBTs no Sul do Brasil. O local já atendeu mais de 200 pessoas vindas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul e de outros Estados do país, oferecendo assistência jurídica por meio de profissionais voluntários.

A ativista também já presidiu o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos Humanos de Caxias do Sul e o Conselho Estadual de Promoção dos Direitos LGBT do Rio Grande do Sul. Em 2023, ajudou a conquistar, em Brasília, R$ 1,5 milhão em recursos para a implantação do Ambulatório de Saúde Trans de Caxias do Sul, uma conquista histórica para a comunidade. Em junho de 2025, foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso pelo trabalho que realiza em prol da população LGBTQIA+.