Vocação e empatia

Tenho profunda admiração pelos profissionais que lidam com o público todos os dias. Um exemplo são os vendedores, gente que

Tenho profunda admiração pelos profissionais que lidam com o público todos os dias. Um exemplo são os vendedores, gente que lida com o humor e muitas vezes com a falta de educação de inúmeros clientes que destilam seu fel contra estes trabalhadores. Converso muito com os comerciários, principalmente caixas de supermercado e motoristas de Uber, lotação e com balconistas de um armazém perto de casa, vindos do interior.

A maioria deste pessoal leva “na boa”, entende que estas agruras fazem parte do ofício. Outros, com um pouco mais de bate-papo, admitem que muitas vezes a paciência chega ao limite e a vontade é de mandar o freguês “para aquele lugar”. 

– Muita gente acha que nós somos culpados de todos os problemas que ele têm, são grosseiros, sequer dão “bom dia” e não são receptivos – me contou uma caixa de um supermercado de Porto Alegre.

Isto é muito mais comum do que se imagina. Por isso, é preciso ter vocação para desempenhar qualquer função que envolva contato pessoal. É preciso ter sensibilidade para detectar o tipo de cliente e a melhor forma de abordagem. Alguns gostam de conversar, como eu, fazendo piada, levando na gozação. Outros, sisudos, não admitem qualquer aproximação, ficando na defesa ou sendo refratários ante a uma tentativa de quebrar o gelo.

A vida do vendedor não se restringe à “psicologia da interpelação”. As metas – as malditas metas! – são como uma espada apontada para a cabeça do comerciário. À medida que o calendário avança e o final do mês se aproxima, a pressão aumenta. É preciso vender sem forçar, convencer com habilidade e “encantar” o cliente, o novo mote comercial.

Outro desafio é a fidelização que transforma o comprador em amigo. Isso é o apogeu da relação cliente-vendedor porque além da simpatia a proximidade fomenta a propaganda de boca em boca que empresta credibilidade.

Há mais de 20 anos corto o cabelo com o mesmo profissional. Giovanni Costa tem uma incrível habilidade com crianças. Por isso, levei meus dois filhos ao salão onde trabalha e desde então o atendimento é a domicílio, o que facilita muito minha rotina. Além disso, o preço do serviço fica mais acessível porque o pagamento vai integralmente para o “barbeiro”, como se dizia em Arroio do Meio.

Quando sou bem atendido falo com o gerente na presença do vendedor. Muitas vezes um elogio tem mais valor que a comissão que o comerciário percebe a cada venda. 

Exercer uma profissão que traga alegria e sustento é o sonho de todo mundo. Isto, porém, é resultado de muito trabalho, dedicação e vocação. Parabéns a todos que lidam com o bom e ou mau humor da humanidade todos os dias.