O comando do caçula Dorigon

Ele permitiu-se ao aprendizado na empresa criada pelo pai.
Manteve e expandiu os negócios, comemorando os 55 anos de
Dorigon com perspectivas de crescimento. As dificuldades pessoais não impediram André de chegar aonde chegou

| Claudia Iembo 
| Especial

Vários fatores determinam uma gestão de sucesso. O que se nota é que à frente de empresas que resistem às crises e acabam se fortalecendo por meio de ações estratégicas, estão pessoas que se dedicam com empenho ao que fazem, não só pelo desafio, mas principalmente pelo amor ao negócio. Se este negócio for familiar, a carga emocional é ainda maior, assim como as chances de bons resultados. É o caso da Estofados Dorigon, cuja direção está nas mãos do caçula da tradicional família, André Dorigon.
A empresa acaba de completar 55 anos. Esta data representa o resultado de um trabalho persistente ao longo dos anos, nos quais enfrentamos situações adversas. Acredito que a Dorigon é uma das únicas empresas fundadas na cidade e em atividade por tanto tempo, analisa André.
A resposta para o segredo é anunciada rapidamente por ele. Persistência. André começou a trabalhar na empresa, criada pelo pai Dino, aos 16 anos. Iniciou na produção, colocando botões nos estofados, depois passou a entregar mercadorias, foi para a execução de pequenos trabalhos no escritório até assumir a gerência financeira. Até tive vontade de trilhar outros caminhos, mas procurei manter e expandir os negócios da família. Simplesmente amo o que faço, relata sobre si mesmo.
Hoje, dirige a Dorigon com seus 33 colaboradores, lembrando que a loja é outra empresa, gerenciada pela irmã Marlene. As decisões estratégicas são sempre analisadas por nós três: Dino, Marlene e eu.
As escolhas que fizeram até aqui foram acertadas e estão embasando as perspectivas, que segundo ele, são boas. Estamos focados no ramo corporativo, atendendo hotéis e restaurantes em mercados no Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Nordeste, além da expansão da nossa exportação ao Uruguai e Chile. Para isso damos andamento a algumas ações que já estavam previstas, como novos projetos de design e padrões de tecido, e outras tomadas em função da crise econômica, como redução de custos e mudança de representantes. Em muitos aspectos a crise até ajuda, afirma, entregando mais sobre sua forma de administrar.

Otimismo

André mostra-se sério e reservado em seu ambiente de trabalho, mesmo tendo conversado rapidamente sobre sua vida pessoal, ressaltando a alegria pelo relacionamento de dois anos com a noiva Solange e pelo orgulho da filha Vivian, 18 anos, estudante de Gastronomia.
O empresário tinha a idade de sua filha quando foi acometido por uma infecção na medula que paralisou os membros inferiores e o obrigou a readaptar-se ao mundo sob a perspectiva de um cadeirante. Eu poderia caminhar normalmente e não ter feito tudo o que fiz, embora eu acredite que minha vida não teria sido muito diferente do que é hoje. Depende muito de cada um, diz, aos 52 anos.
Seu modo de enxergar o mundo é responsável pelo otimismo em relação aos fatos que o cercam. Fatos pessoais, como a preocupação com a sucessão empresarial no futuro, e profissionais. A mudança no cenário político econômico vai nos proporcionar um novo rumo, com um crescimento maior do PIB a partir de 2017. Precisamos sim de reformas trabalhistas, previdenciárias e tributárias, que com certeza vão demorar a acontecer, mas eu creio que o Brasil ainda será um país muito bom para se viver.
Simples entender as razões que fazem a Dorigon ser a empresa que é, capaz de resistir a tantos outros cinquentenários. Sólida tradição, passada de pai para filhos.