Adeus, Adelino, meu querido amigo

“Infelizmente, é hora de nos despedirmos de um farroupilhense excepcional. Adelino Colombo. Minha admiração pelo Adelino começou na minha infância. Eu acompanhei sua trajetória desde a loja Eletro Rádio como um de seus clientes mais chatos. Eu era criança e tinha uma bicicleta que insistia em não funcionar o farol. Fui à loja do Adelino com a lógica infantil de que se sabiam consertar e construir rádios, também deveriam entender de farol de bicicleta.
Testei sua paciência e cordialidade que depois acompanharam nossa relação para o resto da vida. Adelino foi sempre um “lorde”.
Quando lancei um dos meus livros de maior sucesso fiz questão de realizá-lo em uma de suas lojas, buscando homenagear e consolidar a admiração que sempre lhe dediquei. O curioso foi que, coincidentemente, no dia do lançamento eu o internara pela manhã para um procedimento do qual só teria alta no dia seguinte ao evento.
Qual foi minha surpresa quando repentinamente ele entra na loja lotada de amigos para participar do lançamento. Ele mesmo se deu alta dizendo que não perderia por nada aquele momento.
Adelino era indiscutivelmente um sujeito raro. Transitou de uma vida laboriosa no armazém do Manoel Pasqual até o topo do varejo com a mesma simplicidade e competência.
Em primeiro lugar vem sua dedicação ao trabalho. Adelino traçou sua trajetória de sucesso de sol a sol, de domingo a domingo. Desde o início e pelo resto de sua vida esta foi a sua marca insuperável: a obsessão pelo trabalho.
Levou consigo em sua alma a marca do agricultor que cuida do seu negócio todos os dias porque os animais e a plantação não fazem feriado.
Outra lição deixada por Adelino foi sua simplicidade, característica que sempre o acompanhou, mesmo depois que suas lojas se multiplicaram e seu nome passou a ser o mais lembrado do Rio Grande do Sul.
Aliado à simplicidade, seu otimismo permitiu que enfrentasse todas as dificuldades com olhos voltados para o futuro. Sua criatividade e busca de soluções para as crises e abertura de novos negócios completam o triângulo mais valioso de sua personalidade: simplicidade, otimismo e criatividade. Sem dúvida estes foram os pilares de seu sucesso. Talvez esta seja a maior lição transmitida por Adelino.
Curiosidade foi outra de suas marcas que, aliada à sua característica de empreendedor, o fez empresário aos 23 anos de idade. Sua primeira viagem a São Paulo para observar o mercado, visitar lojas, entrar no fabuloso prédio do Mappin, aprender os novos rumos do comércio varejista, completa a genialidade de sua personalidade.
Sua curiosidade também o levou a conhecer o mundo até em seus cantos menos frequentados por turistas. Mas sua maior conquista foi indubitavelmente a Ruth e a família que ambos construíram.
Como médico acompanhei sua angústia, quase desespero, durante uma grave doença da Ruth. Ali conheci o verdadeiro Adelino e ainda mais o admirei. Como paciente foi irrepreensível. Amava a vida, amava sua família e amava seu negócio. Tudo isso o tornava o paciente ideal, sempre em busca de uma saúde integral e cuidadosa.
Era uma alegria para mim recebê-lo, conviver com ele, ajudá-lo no que precisasse. Era meu paciente mais especial. Era o farroupilhense mais importante para mim. Afinal, quem consertava minha bicicleta na minha infância?