Luthier, um profissional que dá vida aos instrumentos

Em comemoração ao Dia do Trabalho, em 1º de maio, conheça um profissional que pouca gente sabe que existe, fora do mundo da música. Você sabe o que
faz um luthier?

Claudia Iembo
claudia@ofarroupilha.com.br

Há profissões que passam quase despercebidas no cotidiano, embora estejam por trás de sons que sempre ouvimos. No Dia do Trabalho, olhar para esses ofícios menos conhecidos é também reconhecer atuações que moram nos detalhes, na técnica e na ação das mãos. É o caso do luthier — palavra de origem francesa que nomeia quem faz, conserta e ajusta de forma artesanal instrumentos musicais, sobretudo de cordas, como violões, guitarras, violinos, violoncelos.

Em Farroupilha, Gustavo Trubian dedica-se a esse ofício há 22 anos. Aos 48, ele soma quase meia vida entre instrumentos, ferramentas e bancadas. Na mesma oficina desde o início da trajetória, construiu uma profissão que, para ele, nasceu muito mais da curiosidade do que de um plano traçado. “Comecei desmontando, copiando, fazendo e aprendendo. Foi por curiosidade, e acabei gostando muito”, conta. Era 2004 quando começou.

Embora o imaginário comum associe o luthier obrigatoriamente à figura do músico, Gustavo desfaz essa ideia com naturalidade. “Não precisa ser músico para ser luthier”, afirma. Ele ainda faz uma comparação ao universo automobilístico: “há o piloto e há o mecânico. Um não substitui o outro”, diz. No caso dele, começou a tocar bateria depois de já trabalhar com instrumentos de cordas. “Não tocar pode até ser uma vantagem. Eu regulo o instrumento para o músico, não para mim”, acrescenta.

Como em tantos ofícios manuais, a técnica se constrói também pela repetição paciente. “Com o tempo, o ouvido se torna mais crítico, a percepção se afina e se aprende a ouvir detalhes que antes passariam despercebidos, mas isso nasce da prática, da observação e do tempo”, ensina. E é justamente o trabalho manual que Gustavo enxerga como essência da luteria. “Se eu montasse uma fábrica, deixaria de ser luthier para ser fabricante”, resume. Para ele, o ofício ainda guarda algo raro: a permanência do fazer com as mãos.

Aqui e na região, a música circula cedo e com incentivo: escolas particulares, na rede pública, em projetos e nas famílias. Tem muita gente tocando e isso precisa ser incentivado sempre” – Gustavo Trubian, luthier

Gustavo diz que Farroupilha é uma cidade com forte cultura musical, portanto seu trabalho encontra terreno fértil. “Aqui e na região a música circula cedo e com incentivo: escolas particulares, na rede pública, em projetos e nas famílias. Tem muita gente tocando e isso precisa ser incentivado sempre”, afirma.
Para manutenção em sua oficina, os instrumentos chegam de diferentes cidades e até de outros estados. “Faz mais de dez anos que não faço cartão de visita. Quem vem, gosta e volta”.

Ele também fala da prosperidade que nasce da sua profissão, dando um sentido mais amplo. “Prosperidade como sustento, claro, mas também como alegria porque é um trabalho gratificante. Gratificante pelo ofício, pelas pessoas que entram e saem da oficina, pelos encontros. Vejo de tudo, todos os estilos, todas as idades”, analisa. Para quem pensa em seguir esse caminho, ele adverte que o aprendizado real está na prática, embora existam cursos, técnicas e ferramentas.

  • No Dia do Trabalho, falar de profissões como essa é falar de algo que merece ser ouvido, pois por trás de cada som com potencial para emocionar, há o talento de alguém… Como o de um luthier.