ESPECIAL DIA DOS PAIS – Juntos no pão nosso de cada dia

Na Padaria Casarão, pai e filho mantêm vivo o sabor da tradição e constroem um futuro com farinha, amor e amizade

Claudia Iembo
claudia@ofarroupilha.com.br

Existem endereços na cidade que mantêm a tradição pelo nome que carregam. A padaria e Confeitaria Casarão, na Júlio de Castilhos, 450, há cinco meses passou para as mãos de Emerson Nascimento, o padeiro que ensina o ofício ao filho Gustavo. Lado a lado todos os dias, pai e filho estão escrevendo um novo capítulo na história do lugar e em suas próprias vidas.

A padaria está em um prédio da década de 40 e seus fornos originais seguem nela até hoje. “Tem cliente que diz que o pai já vinha tomar café aqui. Eu quis manter o nome exatamente por isso: pelo respeito à memória e à tradição”, conta Emerson que há mais de três décadas desperta quando o resto da cidade ainda dorme para sovar massas e oferecer aos clientes tudo o que aprendeu ao longo da vida.

A dupla, que ganha o reforço da esposa Ana e das donas Zê e Clea, trouxe ao Casarão receitas diferentes, como as cucas salgadas feitas com massa de aipim e sabores inusitados como: copa com figo, lombo com abacaxi, calabresa, frango. Para quem prefere o doce, há combinações de abacaxi com vinho e pistache com chocolate branco. Além, claro, dos tradicionais pães coloniais e o pão de milho.

Falando nisso, o resultado perfeito do pão de milho é justamente do Gustavo, que aos 22 anos já aprendeu o ofício do pai. “É ele quem bate o pão de milho como ninguém. Tudo aqui é feito com nossas próprias mãos”, diz Emerson. Em meio à correria da rotina, o Dia dos Pais ganha um significado especial no Casarão. Emerson nunca teve o pai por perto na infância. Só o conheceu aos 16 anos.

“Minha mãe supriu tudo o que eu precisava, mas eu sabia que faria diferente. Queria ser o pai que eu não tive”. E é. Gustavo sabe bem disso. “A gente passa o dia inteiro junto. Se discutimos, dois minutos depois está tudo certo de novo. Me sinto grato por tudo o que ele me ensina, por todo o incentivo”, entrega o rapaz.
Com a voz embargada, Emerson completa: “Ter o Gustavo ao meu lado todos os dias é tudo para mim. Ele é meu porto seguro. Eu tenho muito orgulho dos meus filhos porque ainda há o Jordano, que preferiu seguir outro caminho”.

  • Nessa relação entre pai e filho, construída em meio ao cheiro de massa assando e farinha no avental, é onde está sendo reformulada a história da padaria Casarão.

Com os clientes espalhando o apreço pelos novos sabores, pai e filho já anunciam as novidades: até o final do ano, dois fornos de barro serão instalados na frente da padaria para assar cucas e pães coloniais duas vezes por dia. Aos fins de semana, frango e carne assados também estarão no cardápio. “Queremos encher a rua com aquele cheiro de pão quentinho saindo do forno “, diz Emerson.

  • Na Casarão, cada fornada é mais do que sustento. É transmissão de conhecimentos de quem molda o futuro com as próprias mãos. De pai para filho.